August 9, 2013


August 28, 2012


Porque de vez em quando é só na base do tiro.

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June 2, 2012


Mudança(s)

Hoje foi meu terceiro dia de mudança. Depois de um ano e meio morando no apartamento dos fundos do prédio, me mudei pro apartamento do lado, de frente pra rua.

Eu tinha passado poucos meses nos dois apartamentos em que havia morado antes desse último, e talvez por isso essas mudanças tenham sido fáceis. E mudança também era só o caso de alugar um quarto na casa de outra pessoa, levar minhas roupas, livros e computador numa mala. Mesmo quando morei sozinho na Argentina, foi por poucos meses num flat mobiliado, me senti todo o tempo um hóspede. Em outras palavras, eu nunca tivera minha própria casa.

Desta vez não. Pela primeira vez, estou me mudando para um lugar completamente vazio, pronto para ser transformado naquilo em que eu quiser torná-lo. Pela primeira vez tive que me preocupar com coisas como preços e tipos de cama. Pela primeira vez tive que de fato comprar uma vassoura.

Talvez por ter me formado muito cedo e pulado muito de cidade pra cidade e país pra país, ou talvez por ser tão próximo ainda da minha família, eu sempre me senti o mesmo garoto meio nômade. Acho que ver aquele apartamento vazio, só meu, foi a primeira vez em que tive uma forte sensação de maioridade, quase de independência.

Me disseram uma vez que a gente nunca “se sente” adulto, e eu acreditei até anteontem. Acho que para algumas pessoas essa sensação vem quando de repente a pessoa se vê esperando um filho. Para outras, é quando ela se vê casando que a ficha cai. Mas a minha caiu de outro jeito.

Eu achei uma escrivaninha muito melhor que a que eu tinha comprado na pressa há alguns meses (não tinha vindo uma no quarto que eu alugava), então resolvi deixá-la no meu ex-quarto, para o próximo ocupante que provavelmente vai ser estudante também e precisar de uma.

Quando fui levar a escrivaninha pra minha antiga casa, meus dois (agora ex-) roommates não estavam. Entrei no quarto agora vazio exceto pela mobília nua, deixei a mesinha e a cadeira lá, e quando fui apagar a luz, ao dar uma boa olhada me emocionei bastante.

Embora eu esteja morando só a um apartamento de distância e ainda divida uma parede com aquele mesmo quarto, percebi que ao fechar aquela porta não estava deixando só uma escrivaninha pra trás. Estava deixando tudo que aconteceu em 2011, todas as lembranças de um ano e meio da minha vida. Deixando de ser roommate de alguém e pela primeira vez morando sozinho em NY. Deixando três anos de deriva profissional e finalmente começando o mestrado, com estágios batendo na minha porta. Percebi que mesmo sendo uma mudança geograficamente pequena, em todos os outros sentidos ela era enorme.

Posso ter apagado a luz e ido embora, mas acho que deixei naquele quarto um pedaço de mim.

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April 20, 2012


Thank God It’s Friday

Às vezes fico triste de ver quanta gente da minha geração usa o Twitter não só para passar o tempo mas também pra reclamar do emprego e dizer que não vê a hora da sexta-feira chegar. É como se de segunda a quinta a pessoa só levantasse da cama porque tem a promessa da sexta.

Passa-se em média 8 horas por dia no trabalho. Isso é um terço da sua vida e é você quem tem a responsabilidade de fazer esse um terço valer a pena, seja mudando de ramo ou mudando dentro do mesmo ramo ou procurando uma outra empresa que valorize mais seu expertise.

Tem gente que eu conheço (tanto aqui como no Brasil) que está fazendo carreira em agências de publicidade e passa o dia todo sonhando em ter se tornado ilustrador, ou animador, ou diretor de cinema. Só a pessoa sai perdendo, e não sei o que está esperando pra mexer a bunda e investir o tempo livre num curso de desenho artístico. É medo de dar errado ou é medo de dar certo e não ter mais do que reclamar?

Eu vi de perto uma grande amiga minha, a Sica Cavalcanti, depois de muitos anos trabalhando em bibliotecas, tomar a decisão de mudar de vida. Voltou pra faculdade, e depois de quatro anos muito difíceis (já que ela nunca parou de trabalhar), se formou em Design e hoje não só tem tese publicada como dá aula em duas escolas. Trabalha o dia inteiro, faz freelas, já quer começar mais um curso, e não tem um dia em que eu a ouça dizer que está cansada. É a diferença que se sente quando você faz algo que gosta.

Posso dizer por experência própria também. Quando cansei de design e quis aprender música, não pensei duas vezes. Quando cansei de música e senti falta do design, não pensei duas vezes também. Nenhuma dessas mudanças foi fácil, nos dois casos tive que aprender (ou reaprender) muita coisa. E já me chamaram de volúvel por isso, mas uma coisa de que nunca vão poder me chamar é frustrado.

Mesmo porque pior do que ser frustrado, só as pessoas que dizem querer se aposentar antes dos 30. Sério mesmo que você odeia tanto o que faz que seu objetivo de vida é poder não fazer nada?

Cada dia que você passa reclamando do seu trabalho é uma oportunidade perdida de se mexer e mudar as coisas que você não gosta. Pense nisso e boa sexta.

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April 10, 2012


Como me sinto quando alguém pergunta quantos anos eu tenho.

comoeumesintoquando:

Quem não, né?

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Via Como Eu Me Sinto Quando...

March 20, 2012


Britney Spears: um talento desperdiçado?

Em uma recente palestra online, um professor da escola de música Berklee, em Boston, observou que, se existe uma coisa que todo vocalista de sucesso tem em comum, não é afinação, não é potência: é a habilidade única de expressar sentimento com a voz. Isso abrange todo tipo de arte vocal: do country ao samba, de Miley Cyrus a Luciano Pavarotti.

Britney Spears nunca foi conhecida por seu expertise vocal. Exceto talvez por sua impressionante potência quando criança, em sua carreira real como cantora pop ela sempre foi mais notada por sua presença de palco e dança do que por ter uma voz fora do comum, ao contrário de concorrentes contemporâneas como Christina Aguilera e Mariah Carey. Alguns fãs argumentam que isso se deve ao fato de Britney ter uma voz fina, delicada (o termo técnico é soubrette), mas diversas cantoras altamente técnicas com o mesmo estilo de voz, como Kylie Minogue, mostram que isso não define nada.

Essa limitação vocal, somada ao fato de que Britney nunca pareceu ter uma mensagem, um plano definido para sua carreira, criaram de forma muito justificada uma impressão generalizada no público de que ela não é uma artista de verdade. Britney é vista como uma imagem, um produto pop, vendido sempre com apelo sexual e letras rasas. A própria cantora nunca pareceu fazer muito esforço para mudar essa impressão.

Mas fica o questionamento: será?

O álbum Blackout, de 2007, mostra que existe em Britney Spears uma artista tão verdadeira e tão capaz que ela mesma parece não ter ideia do que produziu. Esse álbum, muitíssimo elogiado pela crítica, mostra uma Britney recentemente divorciada, magoada, sem máscaras, no auge da sua comentada crise pessoal, tudo isso orquestrado por compositores e produtores talentosíssimos que tiveram total liberdade criativa.

O álbum passa batido pelas limitações tonais da cantora, numa ousadia despreocupada comparável à performance sans micro de Madonna no VMA 1990. Sua voz está completamente processada, mas a expressão em cada palavra é tão verdadeira que em nenhum lançamento que veio depois, já em mares mais calmos, ela conseguiu replicá-la. A faixa Kill The Lights, do CD Circus (2008), traz uma tentativa de reconstruir aquele sentimento cru de Blackout, mas perde de longe. Blackout é a crise de Britney em forma de disco: em faixas como Get Naked, ela corajosamente encara de frente a perda do status de sex symbol e seus problemas de peso: “I’m not ashamed of my beauty, you can see what I got”.

É difícil tentar entender por que a cantora, mesmo após produzir algo como Blackout, se deixou transformar novamente num produto plástico e fake. Ela insiste em cantar sobre sexo, festas e sexo em festas, o que não só não soa verdadeiro como nem poderia soar, já que desde 2008 sua vida tem sido rigorosamente regrada, e já por um bom tempo ela está num relacionamento amoroso estável.

É inegável o desperdício artístico que isso envolve: uma história como a dela não é apenas fora do comum, é única. A perseguição homicida da mídia (que ela aborda de leve em Piece of Me - não escrita por ela), a pressão da celebridade, a insegurança física depois de uma carreira construída numa imagem que ela já não tinha - Britney tem na sua vida matéria-prima para o tipo de escrita musical que pode fazer História (ela inclusive já se provou uma boa compositora técnica em faixas como Someday (I Will Understand) e o hit Everytime). Em vez disso, prefere se esconder no conforto do mais-do-mesmo, sequer se dando o trabalho de mostrar ao mundo que é uma excelente pianista.

Britney é um eterno orgulho para a indústria da celebridade, mas seu talento não-aproveitado parece fadado a permanecer um desperdício para o mundo da música. Pelo menos sempre teremos Blackout pra ouvir no repeat.

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March 17, 2012


"Você pensa que o sucesso me fez solitária? O fracasso é solitário”.

Patty Hewes, Damages (Ep. 4x10, “Failure is Lonely”)

Porque as pessoas que têm medo do sucesso encontram toda forma possível de julgar os que se arriscam a buscá-lo.

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Oferta/Demanda

Eu acho um pouco impressionante a dificuldade que tanta gente tem de entender um conceito tão simples como oferta e demanda. É uma lei que governa o mundo de forma tão consistente como a gravidade, e ainda assim se ouve coisas como:

"COMO ASSIM o preço do CD da Whitney aumentou depois que ela morreu?"

"As mulheres só querem os homens que não prestam".

"Os homens só querem as mulheres que não prestam".

"Quero tanto um namorado, por que não arranjo um?!!?!?!11!11111"

A resposta para todas essas perguntas está basicamente na própria pergunta. Quanto menos disponibilidade algo tem e quanto mais procura existe, maior é o “preço” de aquisição desse algo (vide a margem de lucro da Apple). E é o motivo pelo qual tanta gente no Brasil não se importa de pagar 500 reais num show e ainda passar horas ou dias na fila pra poder ver alguma coisa.

Na verdade não se pode nem culpar o capitalismo por esse conceito quando esses cavalheiros e donzelas que insistem em reclamar de “só querermos os homens/mulheres que não prestam” provam que até as relações amorosas são governadas por essa lei. É o bom, velho e eterno “fazer de difícil”. Pessoas que queremos e não nos procuram aumentam a percepção de “qualidade” que temos dela, e assim estamos dispostos a pagar um “preço” emocional maior.

E o contrário infalivelmente funciona. Um namorado que ligue o dia todo é chato. Um produto que exista em qualquer camelô não pode cobrar o preço de um iPhone. E se você não quer pagar pelo CD da Whitney, por que não baixa gratuitamente o do Feh Alcântara?

É isso.

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